dentro da clareira do teu olhar tem uma fogueira
parto pra te olhar num desses dias em que a noite parece tersol inflamando os olhos eu choro eu pranto eu pronto
um cantador tira a viola do saco e senta na fogueira pra fazer sua prece sem pressa seu verso sem verdades
quando estou de bem comigo saio assobiando sobre como é escura a noite dentro do seu olhar vazio que nem roça
seu olhar tem meu mesmo vazio que a roça
lido com todos meus desdobramentos espirituais sem nem suspeitar de que sou o personagem malandro de uma cantiga seresteira entoada na fogueira bem no meio da clareira noturna que é seu olhar
vez ou outra a maré da retina sobe e encerra a fogueira a cantoria eu me apago pois a canção que me deu e dava vida silenciou
sou apenas outro verso que não deu certo apenas outra melancolia que deu certo outra ida outro perto outro aperto outro parto outro aborto barato outro outra outrem entrem no trem
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