716.


dentro da clareira do teu olhar tem uma fogueira

parto pra te olhar num desses dias em que a noite parece tersol inflamando os olhos eu choro eu pranto eu pronto

um cantador tira a viola do saco e senta na fogueira pra fazer sua prece sem pressa seu verso sem verdades

quando estou de bem comigo saio assobiando sobre como é escura a noite dentro do seu olhar vazio que nem roça

seu olhar tem meu mesmo vazio que a roça

lido com todos meus desdobramentos espirituais sem nem suspeitar de que sou o personagem malandro de uma cantiga seresteira entoada na fogueira bem no meio da clareira noturna que é seu olhar

vez ou outra a maré da retina sobe e encerra a fogueira a cantoria eu me apago pois a canção que me deu e dava vida silenciou

sou apenas outro verso que não deu certo apenas outra melancolia que deu certo outra ida outro perto outro aperto outro parto outro aborto barato outro outra outrem entrem no trem

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desaprumando as parabólicas,
os poemas saem do ar