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sei sim da falta que você sente da praia encantada. aqui mareja mesmo no canto do olho. sei que

você não consegue conter o sorriso na porta do mar mas não sei que

aquilo que você sente na água no pé é o mesmo que o violão sente na corda no dedo debaixo de sua palmeira favorita do percurso das estações do entardecer da noite

talvez o marulho, a convidar sua alma pra outro mergulho, seja afinado no tom lunar das águas de lá, de onde a sereia canta com cada parte do corpo de baile

você também vibra feito elas desde que o mundo é senhora na calada das canções que botam ovos de âmbar no ninho do lago e nesse lago, em que a madruga conjura seu feitiço degradê, você, de mãos dadas com essa natureza, escuta as infinitas vozes que vêm de dentro. alô, ouvinte, aqui quem cala são seus demônios. pode ser. beira




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desde que você esteja se desculpando, o vento que sente ainda é o que descabela as canções do seu casamento com a samambaia. a areia te faz sentir remota em cada projeção astral de verão ou em cada cortejo engarrafado das inexoráveis pequenas mortes e coitos? desde que você esteja se descobrindo, você sabe sim qual vento molhou de areia a gota de água doce em seu peito. você também vai querer dançar mas não deixará de se sentir menor que os grãos. ao se saciar, morra de êxtase pra renascer de vazio a ser preenchido com nada. não adiantará reconsiderar a rota da carruagem se o terreiro é dentro de você. ao se rabiscar, espere pela garrafa menos gelada do jardim e os lençóis deixarão de acender os postes para tirar sua roupa. não se esqueça de como fazer perguntas generosas ao tarô se um dia minhas cartas não chegarem. desde que você esteja fugindo, tocando uma fuga ou outro coração, os cristais que pendurei na sua aura vão escrever os poemas que você precisa pra sobreviver. venha ver

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desaprumando as parabólicas,
os poemas saem do ar