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as mentiras que nos contamos nas praças dessa cidade acendem por dentro

saio pra tomar um baculejo na praça doze uma dose na praça do retiro um tiro na praça do vinil conheço você inteira daqui até a puta que pariu

o médico pede um cigarro pro dentista

eu perambulava pela rua j pinto fernandes quando solucei que você só voltaria pra casa daqui a três dias de amor com outrem

um neon grita querendo desvendar as sombras que a lua cria na minha solidão minha minha

as matas dos canteiros do seu corpo são as partes mais íntimas das praças de nossas preces

cada lorota barata que você me contou nos becos de meus pesadelos eu engoli só porque estava faminto

já não minto

já não sinto

j pinto

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desaprumando as parabólicas,
os poemas saem do ar